Projeto Ritmocidades será realizado na Prudenciana – 01 de Julho de 2012

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Ritmocidades é um projeto ambulante, que circula entre 4 (quatro) cidades da região oeste do estado de São Paulo, congrega quase uma centena de pessoas e que consolida as parcerias entre grupos que trabalham elementos da cultura quilombola como danças, cantos, jogos e religiosidade, criando espaços de diálogo-conscientização sobre nossa identidade de povo negro, exaltando nossa condição de liberdade e resgatando nossa memória.

Tal iniciativa é uma proposição do Instituto do Negro Zimbaue e o Galpão Cultural juntamente com 4 (quatro) grupos culturais quilombola, a Paróquia Santo André; Escola de Capoeira “Os Angoleiros do Sertão”; Mergulhatu; Moçambique. Além disso, o projeto é realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2012.

O projeto já passou pela cidade de Assis no dia 21 de Abril de 2012 com o primeiro espetáculo sendo realizado no Galpão Cultural e, após a circulação deste nas cidades de Taruma, Paraguaçu Paulista e Florínea, retorna à cidade de Assis.

Contudo, por conta do fechamento do Galpão Cultural, tal atividade sofrerá mudança no local de realização. Assim, transferimos o espetáculo para o Salão de Festa da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, situada na Rua Nivaldo Neres Gusmão nº 96, de frente a Praça Central da Prudenciana.

CompApareçam!!!

Programação

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21/04, 19:00hs – Assis
Local: Galpão Cultural (Rua dr. Teixeira de Camargo, 205 – Vila Operária)
 
12/05, 19:00hs – Tarumã
Local: E.M. “José Osório de Oliveira (Avenida dos Lírios, 600)
 
02/06, 19:00hs – Paraguaçu Paulista
Local: Concha Acústica (Praça Prefeito Jaimy Monteiro – Fonte Luminosa) – Encerramento: Escola de Capoeira “Os Angoleiros do Sertão” (Rua Deliberador – Antiga estação da Fepasa, em frente à rodoviária)
 
16/06, 19:00hs – Florínea
Local: Praça da Matriz
 
01/07, as 19:00 – Assis
Local: Galpão Cultural (Rua dr. Teixeira de Camargo, 205 – Vila Operária)
 
Obs: Sujeito a alterações.

SINOPSE

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Ritmocidades é um projeto ambulante, que circula entre 4 (quatro) cidades da região oeste do estado de São Paulo, congrega quase uma centena de pessoas e que consolida as parcerias entre grupos que trabalham elementos da cultura quilombola como danças, cantos, jogos e religiosidade, criando espaços de diálogo-conscientização sobre nossa identidade de povo negro, exaltando nossa condição de liberdade e resgatando nossa memória.

Começamos a festividade com a celebração afro-brasileira, que integra vida e fé, num ritual de matriz religiosa que energiza o espaço, prepara o terreiro e o altar onde nos situaremos. A celebração exige muito despojamento e entrega, por isso é iniciada com os pés descalços para adentrarmos o terreiro que é sagrado e para nos desfazermos de todas as resistências e proteções.

Para dar continuidade ao ritual e às boas vindas a todos, a festividade, a música, o cantar declamado e a dança forte do Moçambique fazem homenagens a São Benedito e a Nossa Senhora do Rosário com louvações que nos convocam a preservarmos nossas raízes.

 Em seguida, com movimentos de agilidade e muita “mandinga”, inicia-se uma roda de capoeira angola, na qual a música e a roda evocam os ancestrais, transferindo aos jogadores a responsabilidade de se comunicarem através de seus corpos, representando esta vasta sabedoria ancestral.

Posteriormente, o jongo adorna a festa, com seus batuques, danças e cantos (chamados pontos). Por meio dele, os escravos de origem bantu (os quais eram forçados a trabalhar nas fazendas de café nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), retratavam o cotidiano de trabalho, saudavam seus familiares, combinavam fugas e faziam magias. É uma manifestação quilombola que reúne elementos religiosos, políticos e culturais e que influenciou o nascimento do samba no Rio de Janeiro.

Ainda em ritmo de batucada, o samba de roda entra em cena com seus cantos e tambores fortes, além de seus passos improvisados, permitindo a todos que se unam em uma troca de energias e celebrando de forma viva e alegre o encontro realizado.

Para encerrarmos a festividade, convidamos a todos a partilharem o pão em um ritual de celebração e comunhão entre todos os envolvidos, sem distinção, marcando assim o encerramento da noite.

No decorrer da festa, os grupos se entrecruzarão: percussionistas de um grupo participarão das tocadas do outro; além do que, ao encararmos esses momentos como rituais, estaremos integralmente relacionados, do começo ao fim das apresentações.

Essa festividade chama a comunidade a assumir e realizar ações efetivas de combate ao racismo e pela solidariedade e valorização das culturas da população afro-descendente.

Projeto Ritmocidades

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O projeto Ritmocidades objetiva fortalecer as parcerias existentes entre os grupos de Capoeira Angola – Angoleiros do Sertão, Mergulhatu – formado a partir da Oficina de Ritmos Brasileiros desenvolvida no Ponto de Cultura Galpão Cultural, membros da Paróquia Santo André de Tarumã e o grupo de Moçambique de Florínea através de 5 (cinco) apresentações públicas conjuntas e itinerantes, distribuídas entre as cidades sede dos grupos.

Pudemos aproximar estes grupos graças à formação do Galpão Cultural, o qual reúne organizações da sociedade civil da cidade de Assis/SP, grupos e interessados em desenvolver cultura, num amplo espaço. Antes de entendermos este espaço como um refúgio, uma alternativa à segregação cultural, buscamos ser propositivos, agregando e promovendo trocas entre diferentes manifestações culturais que estejam relegadas, assim como acontecia nos quilombos, que produziam novos modos de existência e de fruição.

O Zimbauê – Instituto do Negro, referência regional para abordagens do movimento negro, encontra-se sediado no Galpão Cultural. Por meio de sua articulação, apresentaram-se os grupos, os quais encontraram afinidades para planejar a sustentação de ações culturais integradas.

Em ocasiões pontuais esses grupos se uniram para realizar celebrações em lembrança de datas marcantes da história do movimento negro e à sua resistência diante das iniqüidades desferidas por conquistadores e dominadores, a exemplo do 13 de maio (dia da luta contra o racismo) e do 20 de novembro (dia da consciência negra).

A situação de exclusão, pobreza e marginalização à qual está submetida a maior parte dos afro-descendentes fez com que estes grupos revissem seus compromissos e se engajassem – a exemplo desta proposta – na promoção dos valores culturais do povo afro-brasileiro respeitando seu jeito de ser e forma de agir.

Além disso, a aproximação destas iniciativas enaltece a riqueza e a força de uma cultura diversa e profusa que se mostra por todo o Brasil e que possui suas peculiaridades em nossa região (oeste paulista). A possibilidade de mesclar as linguagens envolvidas nesta festividade evidencia a relação que elas possuem entre si, a exemplo da religiosidade e da musicalidade, a qual está presente na Capoeira Angola via ladainhas e louvações, e nas composições do Moçambique e do Jongo, ao versarem sobre os ícones negros, santos padroeiros e quilombos. Assim como a missa católica afro-brasileira que é acompanhada por elementos percussivos, demonstrando o sincretismo religioso nela presente.

As referidas manifestações são bastante ritualísticas, na medida em que têm procedimentos e figuras a serem seguidos e reverenciados; ex: mestres na Capoeira Angola e no Moçambique, griots no Jongo. Elas carregam em seu germe a nostalgia dos ancestrais e da terra dos antepassados, requerendo responsabilidade e dedicação na forma de manifestar essas práticas, repletas de tradição, no contexto atual. Por isso, todos os grupos realizam pesquisas e vivências a fim de conservarem seus legados e sempre avaliam a melhor forma de incluir influências da modernidade e dos sujeitos que a acompanham. Contudo, prezam pelo respeito às particularidades inerentes a cada uma, de acordo com o passado que embasa seu presente. São manifestações que subsistiram à escravidão, à depreciação e às indignidades e que emanam desses representantes, descendentes de escravos, por meio de forças incoercíveis, palavras, gestos e cantos que contagiam o público espectador.

Esta festividade escancara o saber-fazer dos seus participantes, os quais não são providos somente de músculos e gingas, mas antes de idéias e conhecimentos profundos, assentados em culturas ancestrais. Assim, confrontamos a visão errônea herdada do sistema colonial de que os negros e a cultura quilombola são reativos e tão somente físicos, para passarmos a admiti-los como criadores, pioneiros e verdadeiros mestres de nosso universo cultural e artístico.

Pretendemos superar essa herança que definiu,classificou e conseqüentemente alijou as pessoas, distinguindo-as por suas funções, práticas e raça, e evocar uma irmandade a partir do compartilhamento de experiências e da indistinção de cor e credo como prerrogativas relacionais.

Parte importante do projeto, nosso mote é o ritmo como elemento presente em todas as coisas; na natureza, nas práticas de trabalho, nas canções, nos discursos e no nosso movimento. Resgataremos músicas, jogos, danças e palavras ora esquecidos, mas extremamente familiares à nossa memória. Nessa proposta é como se todos os grupos entrassem numa cadência e numa concordância que traduz a equidade idealizada nos quilombos.

Ao propormos este projeto, combatemos e problematizamos o racismo, o preconceito, a negligência e o demérito em relação ao povo negro, heranças da escravidão e da aculturação, e convidamos o público em geral para se apropriar de sua história.

Nesta interlocução com a comunidade buscamos estreitar vínculos para problematizar e refletir, e com a sociedade civil, criar, difundir e acolher projetos que, efetivamente, venham contribuir para ensejar políticas de reparação e propugnar novos tempos de igualdade.